domingo, 16 de agosto de 2020

CAMINHOS DO MEDO

(Adrian Schiegl)



                      Tenho medo de nuvens escuras,
                      Prenúncio de lágrimas
                      Que, certamente, vão cair.
                      Do calor escaldante do sol,
                      Insistindo em manter
                      A ardência das fogueiras
                      Que queimam a paz interior

                      Tenho medo do frio
                      Que não pede agasalhos,
                      Mas que estende seus pontudos galhos
                      Em direção a cada célula do corpo,
                      Deixando-o morto de emoções

                      Tenho medo do vento,
                      Que desatento leva memórias
                      E promessas,
                      Deixando atrás de si
                      Um rastro de acomodações nefastas,
                      A sufocar lancinantes gritos de inconformismo
                      E a cobrir os anseios de dor
                      Da humanidade

                      Tenho medo das sombras
                      Que caminham sem fazer ruído,
                      Dos fantasmas dos sonhos perdidos
                      Libertados em noites insones ...
                      Tenho medo de não poder ser,
                      De viver um estar fictício,
                      De perder os horizontes
                      E as perspectivas

                      Tenho medo do silêncio ...
                      Ele nos faz ouvir
                      A voz da consciência 
                      E da nossa inconveniente mudez
                      Frente aos tortuosos avessos
                      Onde somos obrigados a pisar

                      Será que ainda se pode sonhar,
                      Sem medo??


                                                                 Marilene




                     

39 comentários:

  1. Tenho medo do medo...apenas.
    O sonho mata o medo.

    Deixo um beijo.

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    1. Ou, talvez, o medo dificulte o sonho. Muito obrigada por retribuir minha visita, que foi bastante prazerosa. Bjs.

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  2. Olá Marlene!
    Todos temos medo de algo. O medo é uma autodefesa. Mas o medo excessivo deixa de ser medo para ser um desiquilibrio emocional. Mas sonhar!...
    SONHAR é partir numa viagem onde o impossível não existe! É a liberdade plena!

    Quem não sonha não vive...apenas existe!

    Um beijo.
    A.S.

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    1. E assim vamos nós, A.S., contornando o medo para segurar o sonho. Bjs.

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  3. Muito linda poesia, Marilene e creio que nos novos dias teremos muitos e muitos medos pela frente! Mas...temos que seguir! beijos, lindo domingo! chica

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    1. É, joaninha querida, que logo ele se vá e a luz volte a nos guiar. Bjs.

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  4. Bom dia de Domingo, querida amiga Marilene!
    Quantos questionamentos profundos e pertinentes!
    Creio que a interrogação no sonhar é para uma resposta com convicção da nossa parte: SIM, é será sempre permitido sonhar sem que ninguém tenha o direito de nos impedir.
    Os sonhos liberam nossos sentimentos puros.
    Muito lindo seu poema, um dos mais bonitos que li aqui.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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    1. Há tantos medos nos rondando, não??? Impossível não tentarmos apagar as interrogações com respostas certeiras, para que voltemos ao voo e aos sonhos. Bjs.

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  5. MArilene
    todos nós sentimos medo.
    eu costumo dizer que tenho medo do proprio medo.
    mas o medo não nos mata os sonhos.
    nunca!
    se os matar, nos criamos outros.
    bpm domingo
    beijinhos
    :)

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    1. Piedade, realmente temos medo do medo, pois ele é paralisante e nos tira, pelas dúvidas causadas, o lindo sentido do sonhar. Bjs.

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  6. Marilene,
    Seu poema diz muito neste momento atual. Todos estamos com medo, mesmo resilientes, lutando para não o ter, mas lá dentro da alma, levamos para os sonhos que podem transformá-lo em coragem para enfrentar novos dias. E que assim seja! bom domingo e um beijão.

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    1. Ninguém quer esse sentimento que tenta nos vestir a cada dia. Mas ele nos traz reflexões e, todas a manhãs, alimentamos a esperança de vencê-lo, para de novo sonhar. Bjs.

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  7. Olá!

    Gostei do seu poema, embora eu tenha um que diz (cito de cor)

    "O poeta não tem medo da chuva,
    nem do vento,
    sai descalço à rua..."

    Saudações poéticas!

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    1. Seus poemas são encantadores, meu amigo. O poeta, esse sim, pode inverter sentimentos e plantar flores em qualquer terra.

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  8. Muito bom poema em que o eu-lírico se dá conta das adversidades da vida, pela capacidade de refletir ouvindo-se a si mesmo.
    Saudações poéticas.
    Juvenal Nunes

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  9. Olá Marilene! Passando para agradecer a tua amável visita e comentário deixado no nosso humilde espaço, assim como me deliciar com a leitura deste teu belo poema, com ênfase para a estrofe abaixo:

    Tenho medo das sombras
    Que caminham sem fazer ruído,
    Dos fantasmas dos sonhos perdidos
    Libertados em noites insones ...
    Tenho medo de não poder ser,
    De viver um estar fictício,
    De perder os horizontes
    E as perspectivas

    Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

    Furtado

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    1. Rosemildo, como fiquei ausente por muito tempo, alguns dos antigos amigos nem se lembram mais de mim rss, mas não os esqueci. Abraço.

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  10. Oi Marlene
    O medo é a mais primitiva das emoções.Pode perdurar se não soubermos enfrentá-lo.
    E as inseguranças se aprofundam.
    Não vamos paralisar diante deles.
    Seu poema fala bem dos caminhos pintados pela natureza_ bem poético! e fáceis de domar.Avancemos, Mari
    beijos

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    1. Muitas coisas nos assustam, Lis. Esse medo sobre o qual falei é, de certa forma, abrangente. Creio que dele não fugimos, em determinados caminhos. Bjs.

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  11. Querida Marilene, lembro dos medos de Belchior com este belo poema.
    Eu tenho medo que sono me pegue no meio de um verso e se cale.
    Belo trabalho Mari.
    Abraços amiga

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    1. Meu poetamigo, o sono não calará seus versos. Ao contrário, lhe trará ainda mais inspiração. Abraço.

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  12. O medo está sempre nos ladeando, contudo, vale a pena sonhar, os sonhos transmutam nossos medos e abrem horizontes. Belo poema, parabéns!

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    1. Ele chega, por vezes, sem razão de ser. Em outras, porque a realidade o impinge a nós.

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  13. Olá Marilene querida


    Acho que o medo faz parte da vida... Adorei o poema.

    Beijos
    Ani

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  14. Faz mesmo, Ane, embora não nos impeça de viver. Bjs.

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  15. Se não fosse o sonho, como voariamos sobre os picos? O medo pode ser o impulso.
    Belo poema, querida Marilene.

    Beijos e saúde.

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  16. E como resistir aos voos, não é??? Obrigada! Bjs.

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  17. Boa noite Marilene
    O medo tão temido por muitos, também é algo necessário pois faz evitarmos muitas coisas prejudiciais. Tudo tem que ter equilíbrio o medo exagerado se torna um problema. Quem neste momento que estamos vivendo não teme pela própria vida ou pela vida dos entre queridos. A ausência do medo neste momento é mais preocupante do que o medo equilibrado, aquele que nos protege. Os sonhos nunca pode deixar de existir e nem a esperança de dias melhores. Um lindo poema. Feliz final de semana. Abraços.

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  18. Muito bem colocado, querida! Ele nos leva a refletir e , nesse caso, nos evita mal maior. Hoje, estamos cientes de que o medo é geral e justificado. Bjs.

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  19. O medo é que nos tolhe a vida. Achei curioso o primeiro verso do poema.
    Gostei.
    Bom dia.

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    1. O queimar do amor e a certeza das lágrimas, o fogo de dentro e as nuvens escuras que o rodeiam. Tenho medo da dor de amor! Esse foi o sentir da escrita na primeira estrofe. Bjs.

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  20. Belas palavras. Você, realmente, tem o dom de ser poetiza.
    Grato pela visita ao meu blog. Estarei por aqui agora. Esteja à vontade de visitar o meu espaço também.

    Bom fim de semana!

    OBS.: O JOVEM JORNALISTA está em quarentena de 22 de julho à 31 de agosto, mas comentarei nos blogs amigos nesse período. Mesmo em férias, o blog tem alguns posts novos. Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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  21. Olá, Marilene!

    Parabéns pelo seu retorno aos blogs. Bem-vinda, pois.
    Parabéns também por esta excelente postagem, tanto pela imagem como pelo seu belo poema. Bravo, poeta!
    Um bom final de semana, com muita saúde e paz, Marilene.

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    1. É tão estranho retornar, Pedro. A primeira coisa que fazemos é visitar os amigos. E a Tais foi minha opção primeira, pela admiração. Depois fui ao seu espaço e vi que fez dele um centro cultural que merece aplausos. Muitos dos que conheci se afastaram, mas tenho encontrado novas casas acolhedoras. Obrigada.

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  22. O medo é sentimento útil. É o aviso que seguramos na prevenção de algo ainda desconhecido. Um excelente retrato poético que tão bem faz ás Almas.
    Parabéns, Marilene.

    Beijo
    SOL

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    1. Também vejo utilidade nele, quando não nos aniquila. O novo e o inesperado nos fazem reduzir os passos. Bjs.

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