sexta-feira, 8 de abril de 2016

QUANDO SÓ RESTAM CINZAS

( Photography by Cristina Viscu)

                                               

E o vento chegou com força,
dedilhando a natureza
com sua enganadora
melodia

Pintou de cinza o céu
para esconder
as cores da alegria

Fez com que as aves voassem,
apressadamente,
a copiá-lo...
que os animais fugissem,
sem destino,
seguindo seu exemplo...
que os fracos galhos dançassem,
enlouquecidos,
ansiando por descanso 

E como veio, se foi,
satisfeito,
sem se importar com os estragos
e com as lágrimas

Não guarde os cacos
nem as recordações
e sequer faça delas prisão.
Quando a paixão
outra vez se aproximar 
já terá aprendido que, como
tudo o mais,
é vestida de efemeridade

Os lençóis de cetim
também se rasgam
e sobre a cama ficam apenas
as lembranças
de um encontro devastador...
Até o perfume se exaure,
por completo,
quando as portas são fechadas
depois que a fogueira apagou



           Marilene




35 comentários:

  1. Belíssimo poema, Marilene. Vc realmente domina as palavras com rara competência. O resultado são essas poesias tão bonitas e profundas. Bjs

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  2. ...E como o cetim viaja com o belíssimo brilho. Segue a melodia rumo ao Céu. Uma encantadora viagem. Parabéns querida amiga!

    (obrigado pelo carinho deixado em minha página!)

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  3. um poema completo, com estrofes lindíssimas e que nos faz ler poesia em puro estado de reflexão.
    gostei muito.
    um beijo
    :)

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  4. Adoro sempre teus poemas, mas nesse conseguiste te superar! Aplausos, parabéns! PERFEITO! bjs, tudo de bom,chica

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  5. É preciso superar os estragos que o sentimento acarreta consigo. Amei de amar, Marilene.
    Beijo e bom dia*

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  6. A paixão é efémera; chega de repente, cheia de força, tudo arrasando, e despede-se (quando se despede) de repente e como se nada tivesse acontecido.
    Quando a fogueira se extingue e só ficam cinzas, só nos resta varrê-las.
    Soberbo poema, Marilene!
    Bom fim de semana.
    xx

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  7. A+i é que é pior!
    Quando as fogueiras se apagam!...

    Beijihos!

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  8. Maravilhoso poema!! Que os ventos levem as cinzas e com sua força volte a reascender novas chamas. bjs. Lindo!!!

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  9. Marilene
    Os ventos podem parecer maléficos, mas também são fecundos, pois são eles a fazer voar o pólen que fecunda a natureza. De resto, o poema se visto como metáfora, é bonito e belo.
    Bjs

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  10. Precisamos sempre de aprender (ou reaprender) que tudo é efémero.
    Porque isso custa mesmo muito a aprender.
    Excelente poema, gostei imenso.
    Bom resto de domingo e boa semana, querida amiga Marilene.
    Beijo.

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  11. Olá mana,

    Poema belíssimo, retratando a força destruidora da paixão, este sentimento avassalador e tão efêmero quando não temperado com o amor.
    Perfeita analogia com o vento forte, que chega destruindo tudo, deixando os sinais de sua passagem violenta.
    Paixões desavisadas também trazem ensinamento e maturidade através do desencanto que deixam. Quando passam, assim como o vendaval que perturba a natureza, impõe-se a reconstrução, sem mágoas, ciente de que o que é efêmero nada constrói. Já nasce perecível.

    Você tem construído belas expressões poéticas. Neste poema, destaco o 'dedilhar da natureza' pelo vento. Gostei muito. Parabéns!

    Beijo.

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  12. Olá Marilene, poema lindo que amei demais. É mesmo assim...tudo acaba. Beijos com carinho

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  13. Paixão avassaladora descrita com maestria neste seu poema , Marilene . Obrigada pela partilha . Beijos e boa semana .

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  14. Olá Marilene.

    Gostei do seu “Quando só restam cinzas”, um belo poema,, que comporta mais de uma interpretação, como acontece com todos os bons poemas. Muito bom. Parabéns.

    Abraços.

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  15. Esse paradoxo que você fez ficou simplesmente maravilhoso, é exatamente assim a paixão.
    Parabéns querida Marilene, beijinhos no coração e linda semana.

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  16. São de cetim as palavras deste magnífico poema...
    Um beijo.

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  17. Fantástico este poema, Mari. Não é fácil decifrar, mas aí é que está a essência.

    Beijinho

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  18. após...
    o que resta...
    saudade
    e a poesia
    a poesia que nos leva até ao pré...
    num ciclo da vida

    poesia

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  19. Querida Marilene,

    Este seu belo Poema descreve a paixão que não amadurece no amor.
    A paixão é um processo avassalador que arrebata numa loucura
    prazerosa, mas sem o tempo numa construção amorosa, fica como
    um registro de rastro e desastre mesmo.
    A sua profundidade poética é pincelada com esta bela sensibilidade
    que você tem e como eu aprecio, Poetisa inspirada!!
    Beijos.

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  20. Belo, sim, Marilene. Quando a porta se fecha e os lençóis se rasgam, resta-nos apenas compartilhar com a solidão as intensas lembranças! Boa semana, amiga.

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  21. Olá,Marilene, tarde!
    primeiro :sorry, não apareceu essa atualização no meu Painel ou foi falha minha ;segundo: lindíssima imagem e belo poema/reflexão;
    ...o fogo da paixão é muito bom, mas, como todo bom fogo, apaga; e tentar disfarçar e levar adiante , só faz se magoar,melhor deixá-lo ir , da forma que surgiu e se deixou lágrimas,lençóis rasgados,deixou um grande aprendizado, uma lição para que não se repita novamente, quando uma nova paixão se aproximar. E, principalmente, que nada é o fim, o vento vira brisa para tocar o som do verdadeiro amor que vem...
    Obrigado pelo carinho de sempre ,belos dias, beijos!

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  22. Analogia perfeita para um Amor de rompante, a deixar rasto de alguma displicência.
    Poema precioso, Marilene.


    Beijo
    SOL

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  23. Este comentário foi removido pelo autor.

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  24. Boa noite Marilene,
    Poema lindo e intenso...
    Os cacos de uma paixão,
    não é uma boa ideia guardar,
    mas as recordações,
    serão eternas, e
    de fato é inútil
    aprisioná-las.
    Bjs!

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  25. "... Mas é essa mesma paixão que dá graça a vida. Como um vendaval chega levantando a poeira acumulada dos dias, trazendo novo frescor, renovando o ar abafado, sufocante, irrespirável. Sacudindo o que estava parado, umedecido, renovando, dando novo animo a vida. Se assemelhando a uma estrela cadente riscando o céu, pejado de nuvens. É uma demão de cal, verniz, na contramão das coisas solenes, estabelecidas, definitivas, previsíveis, acabadas, dos rituais e regras estabelecidas.

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  26. Vim para conhecer e gostei! Vou seguir para não perder de vista :)
    Beijo.
    Nita

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  27. Oi Marilene,
    Tem um Prêmio pra você lá no http://suaveenatural.blogspot.com.br/

    Passo aqui depois pra comentar a postagem. Um grande abraço.

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  28. Quando o fogo apaga, resta-nos varrer as cinzas e partirmos em busca de lenha para fomentar o fogo de uma nova paixão. Lindo poema Marilene.

    Obrigado pela visita e pelo gentil comentário deixado no nosso Arte & Emoções.

    Abraços,

    Furtado.

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  29. Um belo poema e não há duvidas de que a paixão é efémera.
    Um abraço e uma boa Quinta-Feira.

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  30. Assim é a força da paixão amiga Marilene.
    Vem com a força da tempestade, levando tudo à frente para no final só restar as lembranças e os cacos que nos feriram.
    Muito belo e intenso essa seu poema.

    Um beijinho com carinho

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  31. Rasgou o cetim da inspiração com intensidade escandalosamente bela.
    Cadinho RoCo

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  32. São belas as lembranças que reconstroem o desejo de amar.
    Nada mais lindo que ver as palavras escorregarem pelo cetim,
    que adorna a leveza das recordações.
    Aplausos amiga nesta maravilhosa inspiração.
    Bjs de paz e luz.

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  33. Parabéns pela criação poética sobre os efeitos da devastação que um algo (aqui partindo do vento) que chega avassalador e se vai, indiferente aos estragos que provocou. Acontece com as paixões mas também com o amor. Por isso, devia-se treinar a mente para esta realidade. Não é fácil mas, mos como se diz, chorar sobre o leite derramado, só nos acarreta um estado doentio.
    BJO, Marilene :)

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